Análises

A vida maltratada que ressurge no Cetas de Manaus

A lente engajada de Diogo Lagroteria, coordenador deste centro de triagem, revela imagens da rotina de recuperação dos animais resgatados.

Marcio Isensee e Sá ·
6 de junho de 2013 · 8 anos atrás

Os CETAS são Centros de Triagem de Animais Silvestres. Eles têm a função de receber animais apreendidos, resgatados e entregues pela população em geral. Devem fazer o trabalho de recebimento, triagem, cuidados e destinação dos animais. Normalmente os animais que chegam aos CETAS estão em más condições. Embora o objetivo ideal seja devolver esses animais à natureza, um conjunto de fatores incapacitantes pode impedir esse retorno. A maioria acaba em zoológicos, centros de pesquisa e criadores legalizados.

Diogo Lagroteria trabalha no CETAS-AM (Manaus) como coordenador, médico veterinário, tratador, administrador e, além de todo esse acúmulo de funções devido à equipe reduzida, ainda arruma tempo para ser o fotógrafo. Seus registros fotográficos são um esforço para gerar conhecimento dentro do CETAS. Segundo Diogo, “um CETAS deveria servir para gerar pesquisa e informação sobre os animais que recebe e trata. Isso deveria ser uma política pública, uma diretriz, mas não é o que ocorre”.

Corujinha-do-mato (Megascops choliba): Essa espécie de coruja chegou no CETAS com a asa quebrada. Após longo período de reabilitação foi microchipada e retornou para a natureza.
Corujinha-do-mato (Megascops choliba): Essa espécie de coruja chegou no CETAS com a asa quebrada. Após longo período de reabilitação foi microchipada e retornou para a natureza.

Diogo fotografa desde criança, mas foi trabalhando com o ornitólogo e fotógrafo Robson Czaban que vislumbrou a possibilidade de fotografar os animais que passam pelo CETAS-AM. Ele afirma: “Eu vi nessa possibilidade, a chance de mostrar uma parte da nossa biodiversidade por outro ângulo. Tentar usar a fotografia para sensibilizar as pessoas e quem sabe um dia os tomadores de decisão, para mostrar o quão importante é a questão da fauna no nosso país”.

Além da importância documental (animais maltratados, grandes apreensões e o dia a dia do CETAS), as fotografias de Diogo revelam, com grande sensibilidade, o trabalho heroico da equipe do CETAS-Manaus pelo ângulo de quem o vê de dentro. “É uma alegria em dobro quando eu fotografo um filhote que foi criado e agora está apto ou cenas de soltura de animais. A fotografia é um complemento do trabalho. E não deixa de ser uma forma de registrar a beleza da nossa fauna e reduzir um pouco o estresse da rotina de ver os animais chegarem debilitados e maltratados.”

Clique nas imagens para ampliá-las e passe o cursor para ler as legendas
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500

 

 

Leia também

Notícias
11 de maio de 2021

Servidor que relatou ineficiência no Ibama denuncia ameaças feitas por assessor de Salles

Hugo Ferreira foi impedido de copiar documentos do computador onde trabalhava e sofreu ameaças após escrever um relatório para o TCU. Servidor denunciou o ato à corregedoria do Ibama

Salada Verde
11 de maio de 2021

Ministério revela dia e local de operação de fiscalização na Amazônia

Publicação assinada pelo ministro Ricardo Salles autoriza transferência temporária de gabinetes e revela datas e locais de operação conjunta com a Força Nacional

Notícias
10 de maio de 2021

Organizações são contra a votação da lei geral do licenciamento, chamada de ‘boiada das boiadas”

Ascema, ONGs ambientalistas e nove ex-ministros do Meio Ambiente publicaram cartas em repúdio à votação do projeto de lei do licenciamento, que sequer foi tema de audiência pública

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta