Erro no artigo

((o))eco
sexta-feira, 31 dezembro 2004 15:43

De Allison IshyJornalista socioambiental – Rede AguapéNo artigo “Promotores Tipo Exportação”, de autoria de Rafael Corrêa, o local correto do núcleo das promotorias do Pantanal é “Bacia do Alto Paraguai” (BAP), e não Bacia do Alto Uruguai, um absurdo, já que se trata do Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai abrange toda a planície alagável pantaneira (nos Estados de MS e MT), além de regiões de planalto, não alagáveis, inclusive com parte da Bolívia e Paraguai (mas não Uruguai!).Acho ótimo estimular através da mídia iniciativas como esta, que também tem dialogado com os atores da comunicação socioambiental e educação ambiental no Pantanal, além de Ongs, redes, governos e pesquisadores.Abraços,

A Terra tremeu

Manoel Francisco Brito
quarta-feira, 29 dezembro 2004 18:28

Esqueça a contagem de mortos provocada pelos tsunamis de domingo no sul da Ásia. É impossível acompanhar os números. Escolha um e fique com ele. O Globo (gratuito, pede cadastro) diz que 60 mil pessoas, até agora, perderam a vida, e confirma a morte da diplomata brasileira e seu filho de 10 anos, que estavam desaparecidos na Tailândia. O Estado de S. Paulo (só para assinantes) ecoa alerta da ONU sobre epidemias na região, que podem dobrar o número de mortos. O The New York Times dá 59 mil mortos e nem arrisca um número de desaparecidos. Reportagens no jornal arranham o mito criado em torno da falta de um cinturão de monitoramento sísmico no Oceano Índico. Não é ruim ter um, mas também não dá garantia de segurança. Terremotos não podem ainda ser previstos com precisão cirúrgica. Os sismologistas só conseguem prevê-los em grandes ciclos. A informação ajuda o empreiteiro que, por exemplo, resolve fazer uma represa, mas não tem qualquer valor para o cidadão comum. O que lhe interessa é a hora e o dia em que um terremoto vai acontecer. Isso ainda é impossível. Os tsunamis também não são fáceis de antecipar. Em águas profundas não chegam a ter mais que centímetros de altura. Passam de marola a vagalhão quando estão próximos da costa. Os sentidos só percebem o problema quando já é tarde demais. A ciência percebe, só que sem muita precisão. A magnitude de um terremoto tem nada a ver com um tsunami e nem todos os que ocorrem debaixo d’água necessariamente provocam um. A dimensão do que ia acontecer no sul da Ásia, o Centro de Alerta anit-Tsunami do Pacífico, no Havaí, percebeu um tempo apenas antes das pessoas que estavam nas praias da região. Mesmo que o alerta fosse possível, lá pelo menos não ia dar certo. Ninguém tinha um plano de evacuação. O Guardian sai com 55 mil mortos e tem uma extensa reportagem sobre Sumatra, onde as ondas causaram os maiores estragos. Foi quase uma repetição do que aconteceu em 1883, quando a explosão de um vulcão varreu da face da Terra a ilha de Krakatoa, na costa da ilha de Java. Causando um terremoto e na sequência tsunamis cujos efeitos foram sentidos na costa da Europa. A manchete do Indian Express vai pelas consequências globais do fenômeno. Ele fez o planeta tremilicar na sua órbita e alterou a geografia do sul da Ásia. Só não fica claro como. Um geólogo acha que Sumatra está mais alta em relação ao nível do mar. Outro que na verdade a ilha deslocou-se em direção ao Sudoeste.

Para onde foi o Brasil

Manoel Francisco Brito
quarta-feira, 29 dezembro 2004 18:26

O IBGE soltou ontem pesquisa sobre as tendências demográficas do país e elas mostram o exato custo do desenvolvimentismo agrícola que se abateu sobre o campo brasileiro. O principal fluxo migratório do país entre 1991 e 2000 dirigiu-se a região conhecida como o arco do desmatamento, que vai de Rondônia ao Maranhão, no Norte do país. A chegada desse pessoal degradou ambientalmente a área e a transformou no paraíso dos grileiros de terra. O Globo (gratuito, pede cadastro) diz que a pesquisa registra ainda o encolhimento das grandes cidades e a perda de população nas regiões mais pobres de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.

Mais um golpe

Manoel Francisco Brito
quarta-feira, 29 dezembro 2004 18:23

Tudo indica, ainda bem, que o projeto de transposição do Rio São Francisco realmente não vai sair do papel. A idéia não é apenas ruim. No longo prazo, ela servirá apenas para enriquecer empreiteiro. E seu impacto ambiental será desmedido em relação aos possíveis benefícios. Ontem, segundo a Folha de S. Paulo (só para assinantes), a obra perdeu um terço dos recursos que estavam destinados a ela no orçamento do ano que vem. Melhor perder tudo logo.

Dissolução

Manoel Francisco Brito
quarta-feira, 29 dezembro 2004 18:21

A secretária do Meio Ambiente do governo inglês, Margaret Beckett, dissolveu conselho formado para monitorar questões éticas, sociais e científicas em relação ao uso de sementes genéticamente modificadas nas fazendas da Grã-Bretanha. Beckett, informa o Guardian, tomou a medida porque os conselheiros estavam exigindo coisa impossível: querem que os fazendeiros que se recusem a usar transgênicos tenham garantias que suas plantações não serão contaminadas pelas sementes modificadas. Isso ainda não dá para prometer.

Bruaca

((o))eco
segunda-feira, 27 dezembro 2004 16:49

De Ney Emilio ClivatiHidreletrica de CorupáFinalmente estamos tornando a discussão sobre a pequena central hidreletrica algo tecnico e paramos com os “chutes” a esmo. A carta do Sr° Germano possibilita que possamos discutir com racionalidade o que a Aneel, o Ministerio da Minas e Energias e a Fatma determinam quanto à vazão de engolimento de uma PCH.A vazão de engolimento medio da PCH Bruaca é de 2,50 m“/s, o que não quer dizer que a usina estará retirando o tempo todo esta vazão. As PCHs se caracterizam por ter uma geração variavel. Podem estar gerando 12 MW em determinado momento como podem ficar paradas o dia inteiro. O que temos que nos conscientizar é que a geração média anual é de 8,50 MW, o que representa um engolimento de 2,50 m“/s. na média.Existe uma vazão minima regulada por lei, que a Aneel analisa, que a Fatma analisa e que a Agencia Nacional das Aguas analisa. Estes dados são para todo o Brasil, ou seja. Qualquer usina hidreletrica estará regulamentada por estas vazões minimas. Não somos da Corupá Energia que determinamos as vazões de engolimento e as vazões minimas sanitarias. Nós apenas cumprimos o que a legislação exige.Quanto ao retorno dos 28 milhões da obra que tanto preocupa o missivista podemos tranquiliza-lo. Se a usina der prejuizo nós que estamos fazendo o empreendimento é que arcaremos com o mesmo. O dinheiro do contribuinte não servirá para cobrir os possiveis rombos. O nosso patrimonio é que garantirá o empreendimento. Quanto à vazão sanitaria o senhor está corrreto. Só podemos retirar do rio 20% da vazão de estiagem. Quando não tivermos estas vazões a usina estará parada, sem geraçao.Quanto ao meu pequeno engano em relação às vazões, tenho a dizer que os dados das vazões são dados oficiais e não estamos enganando a Aneel ou qualquer outro orgão. Estamos usando dados do Governo Federal. Se alguem tem que ser acusado de falsificar ou burlar dados hidrologicos não somos nós. Tambem em nenhum momento eu disse que a vazão de estiagem é de 2,50 m“/s. , o que eu disse é que a vazão de engolimento médio é de 2,50 m“/s. O que é completamente diferente.O nosso levantamento hidrologico está correto. O Senhor Germano em nenhum momento citou as bacias de contribuição a que se refere. Nós temos todas as bacias de contribuição a jusante do nosso inventario. A bacia do Rio Novo, do Rio Correias, Do ribeirão Vermelho e do Bruaca. Com dados tão precisos que a Aneel confirmou o estudo hidrologico. Afirmar que vamos “secar” a cachoeira da Bruaca é agir imtempestivamente motivado pelo sentimento de ser contra. Os dados tecnicos não mentem. A Aneel não mente. A Fatma não mente. A ANA não mente. O Ministério das Minas e Energia não mente.Obrigado.

O sul da Ásia virou mar

Manoel Francisco Brito
segunda-feira, 27 dezembro 2004 16:17

Aconteceu às 6: 59 da manhã de domingo, hora local, 100 milhas a oeste da costa da Indonésia e de uma maneira que segundo o The New York Times (gratuito, pede cadastro) não acontecia há 40 anos. Um terremoto sob o Oceano Índico provocou uma série de tsunamis na supefície, com ondas que ultrapassaram os 10 metros de altura e foram longe a ponto de dar na África. Em cheio mesmo, atingiram as costas de Índia, Sri Lanka, Indonésia, Myanmar e Tailândia. E tiveram um efeito devastador. A edição do Guardian saiu com 11 mil mortos, mas alerta que a conta final será muito maior. O The New York Times fala em 13 mil mortos. Globo (gratuito, pede cadastro) preferiu ficar no meio e deu 12 mil mortos. Esse também foi o número que apareceu na manchete de O Estado de S. Paulo (só para assinantes). O tamanho da destruição é proporcional à força do terremoto. Chegou a 8.9 na escala Richter, desempenho que o coloca entre o 5º maior ocorrido desde 1900 – quando começou-se a medir a intensidade de tremores – e o mais violento desde 1964. O Le Figaro (gratuito) tem reportagem sobre as favelas de palafitas de madras, na India, completamente achatadas pelos vagalhões. Mas o terremoto foi democrático. Destruiu para tudo quanto é lado. No Sri lanka, as áreas de turismo, cheias de europeus e americanos, tiveram a pior sorte. O Indian Express conta em ótima reportagem (em inglês) que no início do tsunami, marcado por acentuada e rápida baixa de maré, as pessoas ficaram curiosas e acorreram à costa para ver o que estava acontecendo. Isso só piorou as coisas, deixando mais gente vulnerável às ondas. Não há país no Índico que treine sua população a enfrentar tsunamis, apesar de o fenômeno não ser infrequente na região. É o que mostra reportagem do Financial Times (área gratuita). Seria pedir demais. O texto informa que não existe nem um programa de monitoramento sísmico naquela parte da Ásia. Se houvesse, embora fosse impossível se determinar a intensidade, saberia-se que um terremoto submarino iria acontecer. Como isso sempre causa ondas gigantes, daria para pelo menos ter evacuado muita gente das zonas costeiras.

Aviso

Manoel Francisco Brito
segunda-feira, 27 dezembro 2004 16:14

O tsunami na Ásia é um bom momento para “pescar” reportagem que saiu no Guardian (gratuito) no dia 16 de dezembro. Ela relata sobre a intenção da estatal de petróleo peruana de construir um terminal de gás na cidade costeira de Pisco. Nenhum grande problema ambiental com isso – Pisco já é uma cidade degradada – a não ser pelo fato que a área onde ela se encontra é a principal candidata no globo terrestre a receber um tsunami pela frente. Quem avisa é a história. Pisco, desde o século XVI, quando foi fundada, encarou tsunamis devastadores em ciclos de 110 anos. Há 136 anos o fenômeno não acontece por lá. O terminal é parte da operação de extração de gás de Camisea, no interior da Amazônia, objeto de seguidos protestos e críticas de grupos ambientalistas. O gás chegará em Pisco por dutos, onde será liquefeito e exportado.

Fechado

Manoel Francisco Brito
segunda-feira, 27 dezembro 2004 16:11

Chegou-se a um acordo sobre a construção da usina de Barra Grande, em área de fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A obra, baseada em levantamento técnico omisso e falsificado, estava suspensa por decisão judicial. O acordo entre empreiteiras, ambientalistas e membros do Movimento Anti-Barragem foi feito na véspoera de natal. Pelo que está escrito, a obra vai custar bem mais cara aos seus donos. Eles terão que indenizar 200 famílias que moram na região, doar muito dinheiro ao Parque Nacional São Joaquim, criar um banco com germoplasma de 14 árvores ameaçadas de extinção, plantar 100 mil mudas de araucárias e doar ao Ibama área de mais de 5 mil hectares com vegetação semelhante a que ficará submersa. Segundo o Valor (só para assinantes) tudo isto vai encarecer a obra em 100 milhões de reais.