Reportagens

A chave de ouro da Transcarioca

Trilha da Urca será o último trecho do caminho total da Transcarioca. A linha de chegada foi escolhida a dedo para fechar com classe.

Duda Menegassi ·
18 de dezembro de 2012 · 13 anos atrás
O famoso bondinho vigia os que se aventuram pela trilha
O famoso bondinho vigia os que se aventuram pela trilha

A trilha do Morro da Urca será o último trecho do percurso total da Transcarioca, e de fato, é para fechar em grande estilo. A alternativa para quem dispensa o bondinho não tem limites de faixa etária. Por se tratar de um acesso a um dos pontos turísticos mais visitados do Rio, a trilha foi facilitada ao máximo, com degraus de tronco nos trechos de subida mais íngreme, o que garante a alta circulação de pessoas por essa via em meio à natureza.

Ao lado da praia Vermelha encontra-se a entrada desta Unidade de Conservação da Natureza, onde fica o Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca, que é onde começa o caminho. Todo esse nome pomposo e emplumado não combina com o clima descontraído das pessoas que circulam por lá, mas é uma homenagem justa à imponência do Morro. Basta olhar para o alto e vemos o topo do monte açucarado, com o maquinário do bondinho que garante a milhões de turistas um visual privilegiado da cidade. Mas o nosso caminho não é por fios de aço, mas por entre as árvores.

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O primeiro trecho é no asfalto, na Pista Cláudio Coutinho, que ladeia a base de pedra gigantesca do morro da Urca. A diversão das crianças e dos escaladores – em alturas diferentes – de um lado e o mar do outro, acompanham o visitante até a entrada da trilha de fato, devidamente sinalizada. O caminho é bem marcado e apesar de algumas subidas mais íngremes é um passeio para a família toda. A primeira parte é a mais cansativa, com cerca de 20 minutos indo ao alto e avante.

Até a chegada à estação intermediária do bondinho, há um pequeno mirante, num caminho afluente à trilha principal. É um desvio curto e vale a pena conferir. De lá é possível dar uma boa olhada na enseada de Botafogo enquanto alguns micos dão uma olhada nos visitantes e passeiam ligeiros por cima de suas cabeças. A última parte da trilha é bem tranquila, com subidas leves. Em 15 minutos, a estação de bondinho surge detrás das árvores.

Se você não perdeu o fôlego com a trilha, prepare-se para perdê-lo com a vista. Não importa a direção do seu olhar: a praia Vermelha, agora pequena e distante, lá embaixo; a Baía de Guanabara inteira a seus pés; a Pedra da Gávea; e o Corcovado, sempre de braços abertos. De boca aberta com tanta beleza? Não é à toa o apelido de Cidade Maravilhosa. Do lado, unido ao Morro da Urca por um cordão umbilical de cabos, o Pão de Açúcar, acessível apenas pelo tradicional bondinho ou através de escalada, para os mais radicais.

Nossa parada é no irmão menor mesmo. Com seus 220 metros de altitude ele já proporciona uma paisagem fantástica. Digna de cidade considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO, a infraestrutura do local convida o visitante a ficar. Banheiros, espreguiçadeiras e bancos, restaurantes e lanchonetes, e até outras lojas, como uma inusitada H. Stern. A verdadeira joia está ao redor.

O sol se esconde atrás da Pedra da Gávea para deixar a noite vir
O sol se esconde atrás da Pedra da Gávea para deixar a noite vir

Fique, veja a tarde cair. O último trecho da Transcarioca será para todos os corajosos excursionistas fecharem a maratona de trilhas com chave de ouro, como o pôr-do-sol dourado que colore o céu da cidade de tons de amarelo e laranja. Apesar de não ser o Arpoador, a vontade é aplaudir de pé quando o último pedacinho de sol se esconde por trás da Pedra da Gávea. A partir das 19 horas da noite (no horário de verão), a trilha é fechada, para ninguém se aventurar por lá no escuro da mata. Porém a descida de bondinho até a estação da Praia Vermelha é liberada gratuitamente a partir desse horário. Aproveite e curta sem pressa, veja a noite chegar aos poucos e trazer outras luzes, dos carros, prédios e postes, para iluminar o cenário e mudar a lógica da paisagem, que, seja dia ou seja noite, continua maravilhosa.

 

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  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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