| Viagem ao Ártico para estudar o calor |
| Felipe Lobo | |||||||||||||
| 30/08/2008, 11:00 | |||||||||||||
![]() Neste sábado, dois alunos da Escola Parque – colégio na Gávea, bairro na Zona Sul do Rio de Janeiro – embarcam para o Ártico. Lá, vão se juntar ao barco da Cape Farewell, Ong inglesa criada em 2001 pelo artista David Buckland, que promove uma expedição por ano com cientistas e estudantes da Islândia ao Canadá. Durante o percurso de 14 dias, percorre-se também quase toda a costa da Groenlãndia. O objetivo desse roteiro no frio é conhecer a realidade de um dos lugares que mais sofrem com os efeitos do aquecimento global. Victor Curi e Amanda Bergman, os felizardos que vão realizar o sonho de nove entre dez ambientalistas, foram escolhidos após o capítulo do Conselho Britânico no Brasil convidar a Escola Parque para uma parceria. No início do ano, cartazes e palestras nas filiais do colégio na Barra da Tijuca – Zona Oeste carioca – e na Gávea convocavam alunos entre 16 e 17 anos interessados em integrar um projeto chamado de “Global Warming”. Ao todo, cerca de trinta alunos se inscreveram e começaram a freqüentar reuniões semanais para entender um pouco mais sobre o tema. Além de leituras e filmes, o grupo também teve encontros com pesquisadores reconhecidos no país e convites para seminários sobre mudanças climáticas em diferentes estados do Brasil. Com a passagem para o Hemisfério Norte garantida, Victor e Amanda se tornaram celebridades. Já deram palestras, entrevistas e marcaram presença em eventos organizados pelo Conselho Britânico nacional. Na última segunda-feira, eles se reuniram pela última vez na sede da escola com os companheiros de projeto, que agora são chamados de “Equipe de Terra”. O encontro serviu para ajustar os últimos detalhes do embarque e definir a freqüência com que enviarão informações para os colegas que permanecerão em solo. Investigação científica Os dois trabalhos científicos que os jovens deverão realizar no barco já estão definidos. Um deles é sobre oceanografia. A expectativa de Victor e Amanda é encontrar uma área de deserto marinho em pleno Ártico. Caso tenham sucesso, vão propor às autoridades locais que joguem pequenas quantidades de ferro e magnésio no local. “O plâncton tende a crescer com estes elementos, e como ele se desenvolve, seqüestra muito carbono e morre rápido, levando o gás para o fundo do mar, há boa chance de ser uma ação efetiva contra o aquecimento global”, afirma Victor. Enquanto isso, a equipe de terra coletará plânctons na Baía de Guanabara e analisará suas estruturas. Depois, será feito um paralelo de como reagem as espécies daqui e as de lá às mudanças climáticas.
Esta iniciativa, no entanto, ainda causa dor de cabeça para os membros do “Global Warming”. Tudo porque o Cape Farewell ainda não conseguiu o albedômetro, aparelho responsável pelas medições. “Ele é muito caro e, a poucos dias da viagem, ainda não sabemos se vamos tê-lo”, diz uma aflita Amanda. A equipe de terra estará de prontidão para fazer análises nas florestas cariocas e comparar a reflexão de energia deste ambiente com os dados enviados diretamente do barco. A expedição Durante uma semana, Victor e Amanda ficarão no Canadá tendo aula sobre todos os equipamentos que terão à disposição no barco. No dia 7 de setembro, o Cape Farewell sai de um porto na Islândia com destino à cidade de Iqaluit, na Ilha de Baffin (Canadá). Os estudantes brasileiros terão a companhia de cientistas, artistas e estudantes do Reino Unido, Alemanha, Índia, México, Irlanda e Canadá a bordo. Com o auxílios dos colegas latinos, pretendem realizar um mini-documentário sobre a viagem e uma série de fotografias.
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