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Eduardo Franco Berton*

“Conta uma lenda dos guaranis na Amazônia que os homens quando morriam deixavam seu corpo na terra; mas sua alma, quando se desprendia dele, se escondia numa flor. Por isso os beija-flores ─ que eles chamam Mainumbi ─ vão voando de flor em flor, buscando recolher almas para leva-las até o paraíso”.

Este é um dos vários mitos que tem acompanhado por gerações a existência destas pequenas e belas aves. E não é para menos: o nobre e importantíssimo serviço que elas realizam na polinização de milhares de flores, de uma diversidade de plantas (entre 500 e 3 mil, diariamente), ajuda na reprodução e regeneração natural da floresta, mantendo a saúde do majestoso bioma amazônico, garantindo a diversidade genética do bosque.

São quase 384 espécies, a maioria delas habitantes da Amazônia. Apesar da beleza natural, o que mais chama atenção nos beija-flores é seu surpreendente voo, já que são os únicos pássaros que podem voar para trás. Fazem a manobra após terminarem de se alimentar, e se mantém suspensos no ar enquanto coletam néctar das flores. Eles são capazes de fazer um curioso e veloz voo ziguezagueando ao redor da fêmea como parte do cortejo antes do acasalamento, uma espécie de ‘baile da conquista’ muito peculiar. Este jeito de voar faz que consumam uma grande quantidade de calorias, já que eles têm que bater as pequenas asas até 70 vezes por segundo para conseguir esta incrível façanha.

Este veloz bater de asas produz um zumbido característico dos beija-flores, algo semelhante ao ruído de uma abelha, que não é mais do que o som do movimento de suas asas, que lhes permite atingir velocidades entre 40 e 80 km/h. Isto faz que seus corações cheguem a bater entre 500 e 600 vezes por minuto, chegando até 1.260 batidas, quando estão em disputa com outros beija-flores.

Com tudo isso, o metabolismo destas aves é bastante acelerado, e aí está a importância e a necessidade do néctar de flores em sua alimentação: porque fornecem a energia para resistir a estes voos fantásticos. A dieta é complementada com insetos, principal fonte de proteínas.

O nascimento de dois beija-flores

Pela primeira vez, logrei observar e retratar um exemplar de beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura) no ninho. A ave chocou os ovos com o calor de suas asas verde-amarelas. Entre 15 e 21 dias, os ovos se tornariam um par de pequenos e delicados ‘cupidos’ que passariam o resto de seus dias (três ou quatro anos) voando e beijando quantas flores encontrassem em seu caminho, tornando-se uma parte essencial do ciclo natural.

*Com a colaboração de Carlos Durán Guachalla