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Rogério Gribel.  Foto: Luciete Pedrosa/Inpa.

Rogério Gribel. Foto: Luciete Pedrosa/Inpa.

 

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o ecólogo e engenheiro florestal Rogério Gribel, ganhou o prêmio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) Meio Ambiente 2017/Categoria Profissional. O prêmio é concedido anualmente com o objetivo de reconhecer personalidades ou instituições que se distinguem por suas ações ou projetos na luta pela conservação do meio ambiente. Rogério Gribel também foi diretor de Pesquisas do Jardim Botânico.

O prêmio é consequência do trabalho realizado pelos pesquisadores Rogério Gribel e Haroldo Lima num fragmento florestal do que restou da Mata Atlântica, numa área devastada pela ocupação, no Campo de Camboatá, Zona Norte do Rio de Janeiro. Trata-se de uma área de aproximadamente 200 hectares denominada Campo de Instrução de Camboatá, de propriedade do Exército Brasileiro há mais de cem anos. A vegetação do local sofreu muito com as explosões que espalharam artefatos, no final da década de 50, quando o terreno era remanescente da Segunda Guerra Mundial.

Recentemente, com a desativação do autódromo de Jacarepaguá para instalações olímpicas, o terreno foi escolhido para ser construído o novo Autódromo do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores perceberam que aquela área representava um dos últimos remanescentes no município de um tipo de floresta que ocorria nas áreas de baixo relevo, que foram dizimadas pela expansão urbana. A floresta abriga espécies raras e em extinção da Mata Atlântica, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), com fauna rica, onde se pode avistar ainda vários tipos de pássaros, mamíferos e répteis de grande e médio porte, a exemplo da capivara, cachorro-do-mato, tamanduás, macaco-prego, saguis, jacus, jacutingas, papagaios e jacarés.

O trabalho dos pesquisadores envolveu muito estudo, palestras, entrevistas, que chamaram a atenção para a importância de conservar a área. O esforço também contou com a ajuda da comunidade, como afirma Rogério Gribel, “A própria população do entorno estava preocupada, não somente devido à perda da floresta, mas também pela poluição sonora gerada pelo autódromo”, diz.

E pensando na população que os pesquisadores sugeriram que nos 100 hectares das redondezas, fossem instalados equipamentos de lazer, desportos e cultura, como pistas de caminhada, pistas de skate, piscinas, ciclovias, quadras esportivas e anfiteatros, que poderiam ser um espaço importante para as comunidades que vivem nos bairros da Zona Norte, ao mesmo tempo em que se conservaria a mancha central de 100 hectares da floresta remanescente.

“Desta forma se conciliaria a conservação do raro fragmento florestal com o incremento da qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem no entorno, área carente de estruturas de lazer e esporte. Para o autódromo sugerimos estudos para identificar alternativas locacionais, de preferência em área já anteriormente degradada”, revela o pesquisador do Inpa.

Rogério Gribel receberá o prêmio, no dia 21 de setembro, junto com o pesquisador Haroldo Lima. “Sinto-me muito feliz e orgulhoso pela premiação, mas de nada adiantará, no entanto, todo este reconhecimento se não completarmos este processo com a conservação, em caráter perene, daquela relíquia de Mata Atlântica encravada na tão devastada Zona Norte do Rio de Janeiro”, diz Gribel. “A luta por sua conservação e manejo adequado deve continuar e nos unir”, continua o pesquisador.

Floresta de Camboatá. Acervo Rogerio Gribel

Floresta de Camboatá. Acervo Rogerio Gribel

 

Vista ortogonal da área da Floresta de Camboatá, com Avenida Brasil ao sul_Acervo Rogerio Gribel

Vista ortogonal da área da Floresta de Camboatá, com Avenida Brasil ao sul_Acervo Rogerio Gribel.

 

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC)

 

 

 

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