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Entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962km² de Cerrado. Isso significa que, a cada dois meses, o equivalente à área da cidade de São Paulo é destruída no bioma. Foto: Mario Crema- Flickr.

Entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962km² de Cerrado. Isso significa que, a cada dois meses, o equivalente à área da cidade de São Paulo é destruída no bioma. Foto: Mario Crema- Flickr.

 

 

Hoje, 11 de setembro, é o dia do Cerrado. Ele é o segundo maior bioma do Brasil, perdendo apenas para a Amazônia. Mas, se os dados de destruição deste bioma continuarem seguindo a proporção de destruição a que está sendo submetido, não deverá sobrar muito para comemorar. É o que alerta o manifesto “Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o de“Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o desmatamento”, assinado por 40 organizações ambientalistas para chamar a atenção de setores da agropecuária, esta que é considerada a principal responsável pelo desmantelamento de mais de 30% do bioma que abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras.

O manifesto reúne 40 organizações signatárias, entre elas WWF-Brasil, TNC (The Nature Conservancy), CI (Conservação International) Brasil, Greenpeace Brasil, IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola). As instituições cobram o comprometimento dos envolvidos na solução de frear a destruição do bioma. “A responsabilidade desse problema é compartilhada por todos os atores da cadeia produtiva, do produtor ao consumidor, incluindo traders, frigoríficos, empresas do varejo, investidores, indústria de insumos agrícolas e companhias de terras”, enfatiza o texto.

Entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962km² de Cerrado. Isso significa que, a cada dois meses, o equivalente à área da cidade de São Paulo é destruída no bioma. Isso torna o Cerrado um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Se for mantido o padrão de destruição do Cerrado, observado entre os anos de 2003 a 2013, até 2050 serão extintas 480 espécies de plantas e mais de 31 a 34% do Cerrado será perdido.

O documento alerta para várias consequências que já estão acontecendo e que poderão a vir a ocorrer, caso nada seja feito para combater o desmatamento do bioma. O texto ressalta que “o Cerrado estoca o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2)5, e as emissões significativas de gases de efeito estufa decorrentes do processo de conversão do bioma impedirão o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil nas Convenções do Clima e de Biodiversidade.”

O governo brasileiro não é poupado das cobranças das organizações ambientais, como consta no manifesto “o governo brasileiro também precisa garantir que a lei e os compromissos internacionais assumidos sejam cumpridos, e espera-se que sejam criados instrumentos e políticas necessários para a melhor ordenação da atividade produtiva no Cerrado. Nesse sentido, a criação de áreas protegidas é primordial, bem como a garantia do direito à terra para povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos agricultores da região. É fundamental também que os dados oficiais de desmatamento do Cerrado sejam publicados anualmente, assim como já ocorre na Amazônia”.

As organizações não desejam que o setor acabe, mas sim que a produção possa ser realizada de forma responsável e sustentável “Esse esforço coletivo e multissetorial possibilitará a conciliação da continuidade da produção, com o desenvolvimento de uma economia diversificada na região, garantindo direitos e renda a comunidades locais e a devida proteção dos valiosos ecossistemas naturais do Cerrado”, finaliza o manifesto.

O Cerrado ocupa uma área de 2.036.448 km², cerca de 22% do território nacional. A maior parte do bioma se distribui em área de clima tropical sazonal de inverno seco - semelhante à savana do continente africano (daí o apelido de "savana brasileira"). O bioma encobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos porções no Amapá, Roraima e Amazonas. A “savana brasileira” abriga cerca de 199 espécies de mamíferos e 837 espécies de aves. São 1200 espécies de peixes, 180 espécies de répteis (28% endêmicas) e 150 espécies de anfíbios (17% endêmicas).

 

Saiba Mais

Manifesto "Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o desmatamento,"

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