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[i]Leopardus wiedii[/i]. Foto: Brian Gratwick

[i]Leopardus wiedii[/i]. Foto: Brian Gratwick

No início do século XIX, o príncipe Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuwied, notório explorador, etnólogo e naturalista alemão, esteve no Brasil entre 1815 e 1817, para estudar a flora, a fauna e as populações indígenas locais. O resultado de sua pesquisa foi a obra Viagem ao Brasil com detalhadas descrições sobre suas observações. Em sua homenagem, o naturalista e compatriota Heinrich Rudolf Schinz nomeou um felino pintado de pequeno porte que vive nas florestas tropicais com seu nome: Leopardus wiedii, conhecido por nós como o gato-maracajá (também Gato-peludo ou Maracajá-peludo).

O gato-maracajá é encontrado do sul do México, na América Central e norte da América do Sul a leste dos Andes. No Brasil, são encontrados em florestas densas, como a floresta tropical e a floresta de altitude, nas regiões da Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

Do mesmo gênero Leopardus que a jaguatirica, o gato-maracajá tem aparência muito semelhante àquele animal, no entanto, sua cabeça é um pouco menor, os olhos maiores, e a cauda e as pernas mais longas. É um felino de pequeno porte, com peso médio de 3,4 kg, comprimento do corpo de 53,6 cm e uma cauda longa, com média de 37,6 cm.

Exímio escalador de árvores, o Leopardus wiedii também tem uma habilidade pouco comum aos felinos: suas patas traseiras têm articulações flexíveis que permitem uma rotação de até 180º, o que lhe dá habilidade de descer de uma árvore de cabeça para baixo, como os esquilos. A destreza com as patas e a cauda longa lhe conferem uma excepcional adaptação à vida arbórea, onde passam a maior parte do tempo.

O período de gestação de 81 a 84 dias produz apenas um filhote. Capaz de viver por 13 anos (20, se mantidos em cativeiro), a espécie tem hábitos essencialmente noturnos e predominantemente solitários. Carnívoros, comem uma grande variedade de presas de vertebrados (mamíferos, aves, répteis e anfíbios), com preferência para pequenos roedores arborícolas e pequenas aves.

A destruição das florestas é a principal ameaça para essa espécie, seguido do tráfico ilegal. Somado a isto, está o pouco conhecimento sobre a biologia da espécie, que limita a possibilidade de estratégias de conservação eficazes. É classificado pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como espécie “Quase ameaçada” e pelo ICMBio, como Vulnerável.