Notícias

O pacífico tubarão-lixa

Mesmo vivendo dentro d'água, o homenageado de ((o))eco desta semana não consegue uma pele suave e bem hidratada. Foto: NOAA.

Redação ((o))eco ·
31 de maio de 2013 · 11 anos atrás

Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum). Santuário Flower Garden Banks National Marine. Foto: NOAA/Arquivo
Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum). Santuário Flower Garden Banks National Marine. Foto: NOAA/Arquivo

O Ginglymostoma cirratum tem um corpo de forma achatada e uma pele com textura muito áspera, semelhante ao de uma lixa. Seu nome popular? Tubarão-lixa. Sem surpresas aqui. Mas ele também é conhecido por lambaru, umbaru ou tubarão-enfermeiro, este último, especula-se, em razão dos “bigodes” entre as narinas, usados para encontrar a comida nos fundos arenosos, que parecem as pinças que os enfermeiros usam para auxiliar as cirurgias.

Ele pode medir até 4 m de comprimento e chegar aos 500 kg de peso. As fêmeas da espécie são, em média, maiores do que os machos e medem entre 1,2 e 3 metros, enquanto que os machos ficam entre 2,2 e 2,57 metros. Tem dentes pequenos e bem poderosos, capazes de infligir ferimentos graves. No entanto, não são muito agressivos, exceto se ameaçados. Em geral, nadam para longe quando são aproximados por nadadores e mergulhadores.

Diferente de muitos tubarões, o tubarão-lixa não se asfixia ao parar de nadar. Eles possuem um sistema respiratório secundário baseado no bombeamento de água através das suas brânquias pelo abrir e fechar de boca. Enquanto repousa, o tubarão-lixa muda para este sistema, poupando energia já que não há necessidade de nadar para fazer passar água e oxigênio por suas brânquias.

O G. cirratum habita o fundo do mar em águas litorâneas mornas (tropicais e subtropicais) desde a superficie até uma profundidade de cerca de 60 metros. São encontrados em recifes, canais entre as ilhas de mangues e planícies de areia ao longo do Atlântico Ocidental, do norte dos Estados Unidos até o sul do Brasil; no Atlântico Leste dos Camarões e Gabão; no Pacífico oriental, sul dos Estados Unidos ao Peru e ao redor das ilhas do Caribe.

Uma espécie de hábitos noturnos, durante o dia costumam ficar imóveis por longos períodos no fundo arenoso, em águas rasas. Enquanto dormem, ficam empilhados em grupos de até 30 indivíduos. À noite são muito ativos e bastante vorazes: se alimentam de peixes que habitam no fundo do mar, camarões, lulas, polvos, caranguejos e lagostas. Os tubarões-lixa se alimentam de forma cooperativa, em grupos de oito a dez, rodeando e concentrando cardumes de presas para logo devorá-los.

É uma espécie ovovípara, sendo que a fêmea pode colocar de 20 a 30 ovos. A reprodução ocorre uma vez a cada 2 anos. Os machos amadurecem entre 10 a 15 anos de idade, e as fêmeas 15 a 20 anos de idade. O tempo médio de vida destes animais é de 25 anos.

O ICMBio classifica a espécie como Vulnerável: são ameaçados pela caça e captura excessiva, bem como degradação de habitat por poluição. No Brasil, o tubarão-lixa é consumido por pescadores, que incidental ou ativamente capturam a espécie em razão da pesca costeira, pesca submarina e captura para o comércio ornamental. Também os impactos sobre a zona costeira, particularmente em áreas de recifes que constituem seu habitat preferido, causados pelo aumento da carga de nutrientes na água que se devem ao runoff pós-desmatamento e perturbação prejudicial causada pelo turismo.

 

 

 

 

Leia também

Salada Verde
19 de abril de 2024

Museu da UFMT lança cartilha sobre aves em português e em xavante

A cartilha Aves do MuHna, do Museu de História Natural do Araguaia, retrata 10 aves de importância cultural para os xavante; lançamento foi em escola de Barra do Garças (MT)

Salada Verde
19 de abril de 2024

ICMBio abre consulta pública para criação de refúgio para sauim-de-coleira

Criação da unidade de conservação próxima a Manaus é considerada fundamental para assegurar o futuro da espécie, que vive apenas numa pequena porção do Amazonas

Notícias
19 de abril de 2024

Mais de 200 pistas de pouso são registradas dentro de Terras Indígenas na Amazônia

Maioria está próxima a áreas de garimpo, mostra MapBiomas. 77% da atividade garimpeira ilegal na floresta tropical está a menos de 500 metros da água

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.